24/09/2013

TALVEZ

“O mundo não vale o mundo.”
Carlos Drummond de Andrade

Se eu tivesse estudado mais, teria mais sucesso na vida.
Se eu tivesse pensado melhor, não teria feito tanta besteira.
Se eu tivesse ouvido meus pais, teria errado menos.
Se eu tivesse poupado mais, hoje teria uma vida mais confortável?
E se eu não tivesse perdido tempo, tivesse começado algumas coisas mais cedo?
Talvez, eu tivesse tido outros romances e mais histórias para contar.
Ou tivesse juntado mais dinheiro para contar.
Se eu não tivesse sido tão perfeccionista, teria aproveitado melhor a vida.
Se eu tivesse saído para mais baladas, dançaria melhor.
E teria mais habilidade com as mulheres.
Se eu tivesse feito tanta coisa, poderia ser tudo diferente...


E talvez eu não teria escrito este poema.

11/08/2013

MINHA INFÂNCIA

Homenagem a TODOS os pais, especialmente ao meu que guiou minhas mãos para me ensinar a escrever as primeiras letras de minha história.


Meu pai pegava ônibus, ia para o trabalho.
Era noite.
Dava dó quando era frio,
e chuviscava.
Meu pai punha seu casaco com botão de marinheiro...
Tinha uma âncora no botão...
Sua boina italiana...
Seu cachecol...
E saia, ensinando-me a ser valente para enfrentar o frio...
Meu pai pegava ônibus, ia para o trabalho
e só chegava no dia seguinte.

Durante o dia, meu irmão pequeno brigava comigo.
Os mais velhos trabalhavam
Eu, entre bonecos,
criava histórias de cowboys,
de vampiros que derretiam,
de prefeitos e governadores,
de cidades, de corridas,
histórias inacabáveis...
na floresta do jardim de minha casa,
falando pra dar voz aos meus bonecos...

Minha mãe achava que eu falava sozinho...

Na rua, corria, gritava
é gol, não é, foi, não foi,
três pra trás, taco no chão,
Vitória!

Minha avó ficava no muro a olhar.
Minha mãe às vezes dizia:
- Psiu... não grite tanto, não vá acordar seu pai!
A vizinha também dizia que eu gritava demais.
O outro reclamava dos palavrões...

No entardecer alaranjado visto da porta da cozinha
minha mãe chamava para o café com leite.
Às vezes, minha avó fazia torrada...
como ninguém nunca mais as fez.

Ia pra rua, minha mãe chamava
às vezes demorávamos, meu irmão e eu...
um dia, minha mãe trancou tudo...
deitamos na rampa que meu pai fizera para minha avó
que não podia subir escadas...
Minha mãe ficou com dó...
Nós entramos...
Eu ia dormir...
E às vezes acordava empurrado por meu irmão...
Sonâmbulo...
Que me empurrava...
O mesmo que me socorreu
Quando levantei dormindo
e bati a cabeça na quina da cama,
tudo por querer mexer no dinheiro
que sonhei ver no armário dele...

Minha casa era um país.
Cada parte, uma cidade.

Havia até um ônibus
Um volante de perua...
Um cabo de vassoura...
Fincados no chão...
Outro... o câmbio...
O motorista era meu irmão...
Não podia descer antes da hora...

Como viajávamos...

Meu pai era vigia noturno...
Minha mãe, dona de casa e de brechó...
Meus irmãos trabalhavam...
O pequeno brincava e brigava comigo...

Eu eu não sabia que minha história
era mais bonita que a história do poeta

que era mais bonita que a história de Robinson Crusoé.

18/07/2013

MINHA ESCRITA


Escrever sobre o Universo é antes escrever sobre mim,
sobre o que veem meus olhos,
o que ouvem meus ouvidos,
o que sentem meus sentidos.

Não posso conhecer todo o Universo,
mas vivo intensamente em mim.
Meu mundo é a síntese do Todo.

Escrevo para que outros conheçam meu mundo,
meu universo,
meus eus.

12/07/2013

MEUS DOCES ANOS

Ah, que saudades que tenho
das tardes de minha infância.

O entardecer dourado de agora,
entra pela janela
e me pinta a casa por dentro.

Os gritos lá fora,
a correria,
a bola na chuva fina,
a brisa fresca
o entardecer lá fora e aqui,
me fazem sentir o chão molhado
da rua onde eu brincava.
Tantas vezes, pintei o chão
do vermelho dos meus pés descalços,
dos meus dedos que se arrastavam,
do chute que não se deu.

Ainda hoje, quando volto,
para ver a minha mãe
posso ver, ouvir e sentir,
no silêncio de agora,
a vida do passado.
Nossos gritos vigiados
minha avó,
na beira do muro
de onde tantas vezes meu pai me mostrou o céu
pintado de rosa,
laranja,
roxo,
negro.

A noite chega,
o silêncio,
mas, dentro de mim,
a aurora de minha vida pulsa,
corre, pula, grita,
vai e vem
a cada dia,
a cada tarde,
a cada sol que se põe

e renasce nas auroras de minha vida.

02/07/2013

SABOR DE VIDA


Se a vida for doce
Morrerei por diabetes.

Se amarga,
Faço cara feia, mas devoro.

Se salgada.
A hipertensão que se dane.

Quero a vida bem passada,
Com tempero picante.
Calda de caramelo.

Pratos quentes no inverno.
Sorvete no verão.
Caldo de feijão num sábado à noite
E doce de sobremesa

Quero sorver o caldo fazendo barulho.
Enfiar o dedo no bolo.
Roubar brigadeiro.
Brigar pela cereja.

Quero ler sopas de letrinhas.
Quero o prato do gourmet
Mas amo o arroz com feijão do dia-a-dia.

Quero a vida uma salada.
Cores, formas, sabores.

Quero me embriagar de viver.

Quero todos os aromas e temperos.

Mas, não quero a indigestão.
Nem comer por obrigação.

E ao levantar da mesa
Quero, sempre, sentir aquele restinho de fome
que me faça querer mais.

23/06/2013

AMOR REDE SOCIAL

Alguém que adicione sua vida à minha.
Que me bloqueie a solidão.
Que me curta nos melhores e nos piores momentos.
Que me cutuque quando eu estiver distraído.
Que crie muitos álbuns em minha memória.
Que me marque nas imagens do seu coração.
Que compartilhe seu pesar ou seu contentamento.
Que comente minhas frases infelizes ou não.
Que seja a foto de capa do meu olhar.
Que faça parte do meu perfil.
E queira mudar o meu status.
Para “simplesmente feliz”.



14/06/2013

PATÉTICO CIDADÃO

Que barulho é esse na minha janela?
É a paciência que está acabando.
É o homem que abriu a porta
E saiu à rua
E está gritando:
Sem violência!
Por que ele diz isso?

Que barulho é esse na minha janela?
É João, é José, é Maria, é Helena
Que caíram com o estrondo.
É a lua imóvel sobre as cabeças.
São os caminhões,
Os cavalos,
Os cacetes nos escudos.

Que barulho é esse na minha janela?
É a correria,
É o grito imperceptível
de alguém que está perdendo no jogo
enquanto a música anuncia o jornal,
o jornal nacional,
que me traz a informação,
que está sob a minha janela.

Que barulho é esse na minha janela?
É a mocinha que não está em casa suspirando com a novela,
é a criança que cresceu,
é o jovem que se cansou do futebol,
é alguém tentando abafar o rumor,
um rumor não sei por quê,
um rumor por tão pouco.

Tudo isso debaixo de minha janela
que por sorte está fechada
e me mantém em meu conforto,
eu cidadão de bem,

eu e minha janela fechada para o mundo.

30/05/2013

DOR

Não te zangues com a dor
Não a renegues
Não lhe tires o momento de tua redenção

A dor é o prenúncio de tua humanidade
Fugir é sofrer bem mais
É sentir-te incapaz

Convive com a dor se queres vencê-la
Ama-a
Olha-a
Degusta-a
Mastiga-a
Senti cada momento
Como se não houvesse nova dor

Engoli-la sem mastigar é que a torna indigesta
Ela não desce pela garganta
Entala
Engasga
Engasta
Chega a sufocar

O amargo da dor torna saboroso o doce momento de alegria
O azedo revela a sensibilidade que não se quer mostrar

Cada momento de dor molda a beleza da vida
Como o cinzel que corta o mármore
Fere-o
Tira-lhe uma parte
Mas faz dele uma beleza resistente e irresistível.

Fugir da dor é viver em nuvens
Suave
Atraente
Encantador
Mas frágil como a nuvem que se desfaz ao vento
Ao calor do sol

A dor não se vence
Não se disfarça
Não se evita
A dor se sente profundamente
Se chora
se curte
se permite

Doa-te à tua dor
E desta parceria inevitável
Surgirá, sorrateira
a grandeza de te compreenderes

e de sentir-te vivo.

24/05/2013

FLOR DE LIZ

Quanta graça pode haver em uma só mulher?
Sua presença ofuscou as estrelas do sertão.
Eles brilhavam no palco tocando em frente suas rimas
De caipira pira, pora...
E a cada aplauso, a cada canção,
A cada estrofe, a cada refrão,
Eu celebrava sua beleza,
Seu sorriso,
Sua presença.

A cada canção que terminava
Suas mãos delicadas aplaudiam
E eu, que já não conseguia deixar de te admirar,
Procurava em suas mãos algo que me dissesse que toda essa graça e beleza iluminavam outros olhos,
Encantavam outro pobre mortal,
Inspiravam outro coração.
Encontrei apenas um anel em cada mão,
Pobres joias que, por mais caras, eram apenas bijouterias
Comparadas a sua perfeição,
Que só pode ser obra divina.

Não sabia seu nome,
Mas já era minha musa,
Já tinha versos que existiam só pra você,
Só pra você.

Era domingo,
Eu sem pressa,
Passaria o dia ouvindo o som da viola
Que fala alto pro meu peito humano
Só pra te ver cantando,
E dançando,
E encantando.

Mas, o show acabou.
Eu te vi andando.
Tanta graça e perfeição...
Aumentei meus passos pra acalmar meu coração.
Eu, humilde fazedor de versos,
Nada diante daqueles grandes poetas que encantaram nossa manhã...
Sim, nossa, porque já me sentia tomado por você,
Prisioneiro de seus encantos.
Precisava apenas saber seu nome,
E você me disse sorrindo.

E então, como prometido,
humildemente,
nestes versos tão singelos,
Minha bela, minha flor-de-liz,
Quero te mostrar minha dedicação.

12/05/2013

MINHA MÃE SEMPRE

Pode pensar minha mãe que quando estou longe, longe ela está
Isso é engano de mãe e engano de mãe se perdoa sempre.
Posso estar onde for, comigo ela está.
Posso viajar pelo mundo, conhecer muitas belezas,
Mas o olhar de minha mãe brilha mais que qualquer joia de realeza.
Posso encontrar monumentos milenares, encantadores
Mas as mãos de minha mãe são a construção da mais divina beleza
Posso conhecer culturas, aprender diversas línguas
Mas a voz de minha mãe, apenas a chamar meu nome é superior a todas as palavras
É sagrada, como sagrado é seu colo, templo onde me sinto perto de Deus.
Mesmo que eu veja céus estrelados, mares azuis, campos verdejantes e floridos
Os cabelos brancos de minha mãe têm um encanto insuperável, pois são o branco da consciência em paz de quem fez tudo que podia e eu conheço cada um desses fios.
Mesmo que eu caminhe por lugares de meditação, por caminhos de redenção
Caminhar com minha mãe é a lição que meu coração conserva.
Posso cobrir-me de ouro, da mais pura seda, da lã de carneiros raros
Só os abraços de minha mãe me enriquecem e me fazem sentir coberto de raríssima beleza e aquecido contra o frio do mundo.
Mesmo que eu conheça o mundo, minha mãe...
O único lugar onde sei que serei absolutamente feliz, amado e forte é junto de ti, por isso, onde quer que eu esteja, te levo em meu coração, tu... minha mãe; sempre.

04/05/2013

DESVENDAR


Seus hieróglifos e mensagens
Suas verdades mais secretas
e mais nuas.

Seus mitos
Sua imensidão contraída
Como letra no muro

Seus secretos investimentos
Formas improváveis de você
Seus sagrados terrores
Medos conservados
Protetores

Seus êxtases
Amores e silêncios
Suas roupas

Seus aromas
Seus remorsos
Negações

Seus esquecimentos
Verdadeiros ou fingidos
Os espinhos que lhe ferem por dentro

Os defeitos que lhe sustentam
Seus mistérios
Que simplesmente são você

Seu amanhecer, entardecer
Anoitecer, a noite ser,
À noite ser.

E lhe ver por baixo dos infinitos véus
Que encantadoramente

Escondem você.

03/05/2013

A QUEM INTERESSAR

Que uns façam versos sobre a beleza da vida
Sobre a pureza da poesia
Sobre a luz do luar
E transformem seu canto
Em louvor da harmonia

Que uns caminhem pela estrada de ouro
Cercada de flores
Cores e perfumes
E das luzes do esplendor
Que é viver com alegria

Que uns cantem o paraíso
Que há de vir
A alma que não se vê
Os anjos que flutuam distantes

Que uns cantem a moral
A razão
A perfeição
O bem vencedor
O mal aniquilado
A civilização

Eu simplesmente não posso
Meu canto não tem a constância
De cores claras
De sons límpidos
De cantigas de ninar

Minh’alma pede mais
Meus sentidos são inquietos
Meu olhar vê o que não quer
Minha mão tateia a aspereza da vida

Minha poesia é de circunstância
sem medida
sem limite
sem definição
sem estilo.

02/05/2013

APRENDA

A Bertold Brecht

No dia de hoje, não se deixe convencer, não se deixe acomodar. Aprenda algo!
Algo simples, mas aprenda.
Sempre é tempo de não se perder tempo.
Aprenda o ABC, o 1,2,3...; dois pra lá, dois pra cá; uma nota, um acorde, uma palavra nova...
mas aprenda.
Não desanime! Comece!
É preciso aprender um pouco de tudo que há.
Quem aprende não se prende, nem se deixa prender.
Aprenda, você, nas ruas. Os que passam, os que permanecem.
Aprenda, você, nas prisões. Os que passam, os que voltam, os que não deveriam estar.
Aprenda nas cozinhas, nas salas; de estar, de espera, de reunião, de aula.
Aprenda na escola.
Aprenda com as crianças, com os jovens, com os adultos e com os velhos.
Aprenda com héteros, com homos, com bis.
Aprenda com mudos, surdos, cegos, aleijados.
Aprenda se sente frio, se sente fome, se não sabe o que é sentir, mesmo sentindo tanto.
Pegue um livro, aprenda algo.
Aprenda viajando, aprenda ficando.
Seja curioso, não acredite, não aceite, não concorde, não faça, sem ter aprendido.
Tudo lhe interessa. Aprenda!
Ao olhar para um motor, para a complexidade de uma flor, para o caminho das formigas na grama, aprenda algo sobre uma engrenagem, sobre um grão de pólen, sobre uma única formiga, se é isso que lhe encanta.
Pergunte!
Não se envergonhe por não saber, por querer saber.
Aprenda por que sim; aprenda por que não.
E escreva sua carta de alforria.

01/05/2013

HOMENS COMUNS


Sou um homem comum,
de carne e de lembranças,
de osso e de andanças.
A pé, de ônibus, de trem, de avião.
A vida sopra dentro de mim.
Vendavais me levam a firmar os pés no chão.
A paixão me leva a viver a vida simplesmente,
até que um dia ela cesse.

Sou feito de esquecimentos
E de desejos incompletos;
de rostos e de mãos,
de beijos,
abraços,
sorrisos
e solidão.

O guarda-sol colorido à beira-mar,
as alegrias de um passarinho,
o cheiro de mato,
a tarde morna e alaranjada,
o som das buzinas,
a campainha do metrô.

Nomes que não me lembram.
Sinais que um dia hei de ver perdidos na multidão,
pelos quais passarei sem um “bom dia”.
Tudo misturado na fornalha
que queima
e faz andar o trem até a estação derradeira,
onde vão desembarcar meus sonhos,
meus encantos
e minhas frustrações.

Poeta, acredito nas palavras.
Mas elas não movem engrenagens,
não erguem edifícios,
não constroem pontes,
não cavam túneis ou poços de petróleo.
Palavras não servem para nada.
A poesia é cada vez mais rara e não move o motor do progresso.

Gasto mais algumas palavras com você,
de homem para homem.
Caminho ao seu lado,
apoiado em você,
de braços dados
antes que o tempo passe
e outros mais morram por nós.

Homem comum, cruzo a avenida,
entro no caminhão de gado que me leva à estação.
Passo a catraca que me cobra pelo serviço “público”
entro no curral que controla minha insanidade.
Espero atrás da linha amarela
o trem do progresso que me prometeram e nunca chega.
A plataforma está cheia, mas nada é feito.
Somente a arena para o espetáculo e ficará pronta antes de qualquer futuro.

A sombra do lucro mancha a paisagem,
turva as águas dos rios,
tir de nós as estrelas,
o céu azul,
o ar puro,
o verde,
a naturalidade.

Somos simples,
comuns,
mas somos muitos
e unidos seremos comunidade de sonhos
e de flores para a primavera que há de vir.

26/04/2013

A VIDA QUE VALE A PENA

Vim-me embora de Pasárgada
Aqui não sou amigo de um rei
Não tenho a mulher que eu quero
Mas aqui eu sou feliz.

A vida é uma aventura
De tal modo inconsequente,
Às vezes é um presente,
Às vezes uma provação,
Às vezes uma ginástica,
Ou como andar de bicicleta

A vida, às vezes, é um burro bravo,
Que a gente tem que aprender a domar.
É subir no pau de sebo
É tomar banho de mar

A vida às vezes cansa
Mas é aqui que eu sou feliz.
Por isso, vim-me embora de Pasárgada.

Vim-me embora de Pasárgada;
Aqui eu tenho tudo,
Não quero outra civilização.
Quero a vida e a contradição,
Quero a loucura de ser feliz,
Quero a alegria de ser triste,
A beleza da incerteza,
O talvez, entre o sim e o não,
Que mudam tanto.

E quando estiver cansado
Mais triste de não ter jeito
Quando a noite se aproximar
E me der vontade de deitar.
Chamarei a indesejada das gentes,
Lembrarei as histórias
Que no tempo de eu menino
Meu pai vinha me contar.
E me deitarei na cama que não escolherei
E então, vou-me embora...

25/04/2013

MEU SEGUNDO


Enquanto eu vou para minha casa.

A dele vai com ele.

Ali, parado, à margem da minha passagem, ele pensa...
Será possível pensar, sob o cobertor de estrelas?
Pensará no teto que um dia perdeu?
Sentirá saudade? Raiva? Medo?
Nojo? Esperança!?
Ainda sentirá!?

Meu segundo de passagem concentrado ali.
Naquele homem com sua casa nos braços.

Homem!? Casa!?

Vou ruminando tamanha igualdade perante mim,
tentando encontrar no outro o homem que sou,
tentando encontrar em mim,
em minhas roupas,
em minha classe o outro.
Não, ele não está aqui.
Está ali.

25/03/2013

VERBO MAIS QUE PERFEITO


Sem você, seria um sujeito sem predicado
Verbo sem complemento
Sem voz
Sem tempo para viver
Sem modo para agir
Impessoal
Defectivo

Minha felicidade é subordinada à sua
Minha oração só faz sentido se você for o adjunto de meu nome
Entre mim e você apenas uma conjunção é possível
Aquela que te adiciona à minha vida
E faz de meu viver um período composto com um verbo mais que perfeito.

19/02/2013

AMOR NÃO É RECOMPENSA

Amor não é recompensa
Amor é o que compensa
É o que vale por si só
Amor é o que se dá sem dó

Amor não se agradece
Se sente
Amor não é favor

Não se explica
Não se justifica
Acontece!

Amor chega de repente
Em um dia de sol
Em noite de chuva
No calor ou no frio
À beira mar
às margens de um rio

Como diria a canção
Pr’a gente saber
“Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê”