26/04/2013

A VIDA QUE VALE A PENA

Vim-me embora de Pasárgada
Aqui não sou amigo de um rei
Não tenho a mulher que eu quero
Mas aqui eu sou feliz.

A vida é uma aventura
De tal modo inconsequente,
Às vezes é um presente,
Às vezes uma provação,
Às vezes uma ginástica,
Ou como andar de bicicleta

A vida, às vezes, é um burro bravo,
Que a gente tem que aprender a domar.
É subir no pau de sebo
É tomar banho de mar

A vida às vezes cansa
Mas é aqui que eu sou feliz.
Por isso, vim-me embora de Pasárgada.

Vim-me embora de Pasárgada;
Aqui eu tenho tudo,
Não quero outra civilização.
Quero a vida e a contradição,
Quero a loucura de ser feliz,
Quero a alegria de ser triste,
A beleza da incerteza,
O talvez, entre o sim e o não,
Que mudam tanto.

E quando estiver cansado
Mais triste de não ter jeito
Quando a noite se aproximar
E me der vontade de deitar.
Chamarei a indesejada das gentes,
Lembrarei as histórias
Que no tempo de eu menino
Meu pai vinha me contar.
E me deitarei na cama que não escolherei
E então, vou-me embora...

25/04/2013

MEU SEGUNDO


Enquanto eu vou para minha casa.

A dele vai com ele.

Ali, parado, à margem da minha passagem, ele pensa...
Será possível pensar, sob o cobertor de estrelas?
Pensará no teto que um dia perdeu?
Sentirá saudade? Raiva? Medo?
Nojo? Esperança!?
Ainda sentirá!?

Meu segundo de passagem concentrado ali.
Naquele homem com sua casa nos braços.

Homem!? Casa!?

Vou ruminando tamanha igualdade perante mim,
tentando encontrar no outro o homem que sou,
tentando encontrar em mim,
em minhas roupas,
em minha classe o outro.
Não, ele não está aqui.
Está ali.