Aqui não sou amigo de um rei
Não tenho a mulher que eu quero
Mas aqui eu sou feliz.
A vida é uma aventura
De tal modo inconsequente,
Às vezes é um presente,
Às vezes uma provação,
Às vezes uma ginástica,
Ou como andar de bicicleta
A vida, às vezes, é um burro bravo,
Que a gente tem que aprender a domar.
É subir no pau de sebo
É tomar banho de mar
A vida às vezes cansa
Mas é aqui que eu sou feliz.
Por isso, vim-me embora de Pasárgada.
Vim-me embora de Pasárgada;
Aqui eu tenho tudo,
Não quero outra civilização.
Quero a vida e a contradição,
Quero a loucura de ser feliz,
Quero a alegria de ser triste,
A beleza da incerteza,
O talvez, entre o sim e o não,
Que mudam tanto.
E quando estiver cansado
Mais triste de não ter jeito
Quando a noite se aproximar
E me der vontade de deitar.
Chamarei a indesejada das gentes,
Lembrarei as histórias
Que no tempo de eu menino
Meu pai vinha me contar.
E me deitarei na cama que não escolherei
E então, vou-me embora...