Teu pescoço precisa da respiração que te faça fechar os olhos e se deixar levar e de beijos suaves e quentes que te façam arrepiar.
Parece que vejo teus poros dilatando, tua respiração aumentando, teu coração acelerando.
Vejo teu corpo tornar-se mole, frágil, entregue.
Tua pele cola em cada parte do meu corpo, as mãos viajam pelos vales e montes de tua feminilidade e volúpia.
Ouço tua voz perder-se em sussurros, sem saber bem o que dizer.
Sinto cada parte de ti como se fosses infinita, não sei aonde ir, mas vou ardentemente, buscando e encontrando algo novo a cada chegada.
Teus seios, joias da natureza, macios, delicados olham para mim fixamente, pedindo o toque, o beijo.
Perco-me indo e vindo, em teus pés delicados, como frutos prontos a serem degustados, em tuas coxas onde me afundo, no doce e agreste rosado de teus lábios que me pedem um beijo.
Beijo essa flor, esse fruto, esses lábios e sinto por entre os meus o mel de tua flor onde sou apenas beija-flor, operário de teu prazer.
Teu corpo, se contorce, tuas mãos buscam meus cabelos, seus dedos tomam os fios e sinto-me levado por você.
Meus lábios percorrem o veludo de teu ventre, deliciando-se no macio de tua pele quente e fresca, doce e salgada, delicada e sedutora.
Escalo teu corpo com meus lábios, com minhas mãos, com meu peito, com minha cintura, com minhas pernas.
Minhas mãos tomam-te por inteira.
Então, o encontro adiado e esperado e sinto o macio e suave de teu interior.
Que causa em mim completa perdição.
Sinto-me tocar em ti, sinto-me entrar em ti, sinto nossos corpos lutando, se batendo, se querendo cada vez mais.
Suas unhas rasgam em delícia e ardor a pele das minhas costas.
Teus dentes cravados em meu peito, marcam a loucura que me toma.
Na língua o gosto da gota que verte de tua pele fervente.
O toque, o aperto, a invasão, as palavras nada puras.
A pressão de nossas peles.
Os olhos fechados.
A cabeça pendente.
Os gemidos frequentes.
A pulsação dentro de ti.
O tempo que se perde.
O calor e o calafrio.
O mundo que se acaba.
A saliva na boca, na língua, na pele.
Teu quadril.
Tuas costas.
Tua nuca.
Teus cabelos entre meus dedos.
O impacto de nossas peles faz música aos ouvidos amantes.
O ritmo.
O grito, sem pejo, sem censura, sem dúvida.
O beijo longo, molhado, línguas que se perdem, mãos que acariciam.
O cansaço da felicidade.
O olhar fixo e perdido dentro de mim e de ti.
A calma, a ternura.
Tua cabeça e tuas mãos em meu peito.
O beijo no pescoço.
Dedos se entrelaçam.
Pernas se entrelaçam.
Olhares.
Debaixo do cobertor descansamos, entrelaçados, sussurrando...
André Valente
São Paulo, 17/11/2011