Pessoas, li o texto que segue na seção de cartas da revista Carta Capital. Quero aproveitar a oportunidade para fazer uma análise e uma reflexão sobre ESCOLHA LEXICAL e os efeitos de sentido em relação à realidade a qual se refere a linguagem. Aí vai o texto.
"Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Lula tiveram de fazer concessões às elites brasileiras, a fim de garantir o mínimo de governabilidade. Sabedores da histórica estrutura político-social brasileira mantiveram-se alertas do quanto a elite sempre os quis longe do poder. Infelizmente, Dilma não assimilou muito bem essa lição ao tentar ganhar a compreensão de uma elite determinada a menosprezá-la. Tal ilusão inclui afagos amigos aos impérios midiáticos implacáveis em bombardeá-la, além de tentativas de abrandar o rancor dos segmentos sociais movidos a conservadorismo e ódio de classe. Dilma empenhou-se em dialogar com aqueles que desprezam o diálogo, enquanto pouco dialogou com aqueles que poderiam lhe garantir apoio.
Dilma buscou a ilusão de governar com a aprovação das elites, enquanto deixou passar boas oportunidades de governar apesar das elites."
Dilma buscou a ilusão de governar com a aprovação das elites, enquanto deixou passar boas oportunidades de governar apesar das elites."
S. Wessner. em Carta Capital. Ano XXI. nº867. 16 set. 2015.
Para fazer sua análise sobre a atuação do governo presidido pela presidenta (sim, a palavra está registrada no dicionário) Dilma Rousseff o autor usa, predominantemente, verbos no PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO - aquele tempo e modo em que os acontecimentos acontecerem em um dado momento do passado, de forma pontual - como por exemplo "empenhou-se", "dialogou", "buscou" e "deixou". A escolha por essas formas verbais demonstra que, para o autor, mesmo de forma inconsciente, o governo de Dilma cometeu erros de forma conclusiva, ou seja, erros que não podem mais ser consertados por ela, pois já foram concluídos no passado. Se quisesse passar a mensagem de que tais erros são cometidos no momento em que escreve, seria melhor usar verbos no presente do indicativo ou o gerúndio, por exemplo: "Dilma empenha-se..." ou "Dilma está se empenhando..."
A escolha lexical, aqui, reflete uma visão pessimista sobre o governo, uma vez que o mandato ainda tem três anos para terminar, mas o autor escreve como se já houvesse terminado. Dessa forma é que a escolha de formas de expressão refletem uma visão de mundo.
É por estas e outras que sempre digo: Não há comunicação sem intenção!
A escolha lexical, aqui, reflete uma visão pessimista sobre o governo, uma vez que o mandato ainda tem três anos para terminar, mas o autor escreve como se já houvesse terminado. Dessa forma é que a escolha de formas de expressão refletem uma visão de mundo.
É por estas e outras que sempre digo: Não há comunicação sem intenção!