28/06/2011

SENSATEZ


Era um homem sensato.
Trabalhava muito, divertia-se pouco, por uma velhice tranquila.
Hoje, descansa, tranquilamente, em um suntuoso mausoléu.

24/06/2011

HOJE, NÃO SOU


Antes eu era prosa
Hoje, sou poesia.
O encanto
O espanto
Hoje, canto tudo aquilo que só ouvia
Toda forma, hoje, não me serve mais
O desajuste, a luz
meus pensamentos
antes cinza,
hoje aquarela;
céu de estrelas,
mar revolto,
café com leite,
agulha no palheiro.
Hoje, não sei tudo que ontem sabia
minhas certezas, agora, tão incertas
a beleza da vida, a possibilidade;
não ser é poder ser muito mais.

22/06/2011

ÚMIDOS SILÊNCIOS

Caminho pela cidade
e vejo olhos carregando úmidos silêncios.
Silêncios que se negam,
fingem existir por se convencerem de que não há onde ecoar.

Pernas vêm e vão.
Andares irracionais.
Punhos, olhos, antebraços vão ao peito,
não se ouve o coração,
o passar do tempo vocifera e nos encolhemos.

Não há vozes,
há ganidos,
grunhidos,
gemidos,
suspiros sumidos,
secretos,
engrenados,
embrenhados no vaivém entre eu,
eus,
nunca nós,
nem laços.

Somos traçados de receituário médico
esperando entendimento para curar a dor.
Somos a própria dor calada,
cravada,
sem mão para puxar o punhal;
o medo do sangue é maior,
então, o coma.

Os dias passam,
o sangue esfria,
os passos são gigantes,
mas não superam abismos.

Regados pelo úmido silêncio dos olhos
que como os meus caminham calados.

17/06/2011

AMIZADE


Amigos vem e vão, amizade não
amigos são de carne e osso,
amizade é de sol e lua.

Quando brilha a lua, amigo é o sol
que mostra sua luz na lua.

Quando o sol vem, a lua fica quietinha,
mas está lá...

Amizade é assim.
De sol e lua.

15/06/2011

MISTÉRIO INFINITO


 
O poeta sonhador ouve estrelas,
reflete o mundo,
escreve versos infinitos sobre a solidão humana,
mergulha profundamente nos mistérios íntimos de si,
viaja pelo cosmos como astronauta experiente,
concentra o universo em poucos versos,
expande o sentido de uma simples rosa no asfalto.

No entanto, este mesmo poeta,
senhor do verbo que ser faz arte,
não é capaz
de compreender os segredos,
as artimanhas,
os maliciosos mistérios,
do coração de uma mulher.

14/06/2011

Em palavras


Falar de amor não é amar.
Ouvir de amor não é amar.
Amar através de palavras é como sentir o vento numa paisagem pintada.