Amanhece...O céu vermelho prenuncia...Luta?Paixão? Sangue?Trabalho?Amor?Ardor?Batalhas?Dor?Energia?Fogo?Força? Guerra?Que cor é essa que vem chegando lá do céu? Trará esperança? Chuva ou ventania...Tempestade ou furacão...Ou talvez alguma coisa que não é nem sim, nem não.
11/05/2016
10/05/2016
TANTAS FACES
Quando nasci
nenhum anjo disse nada,
que me lembre.
Por isso não aceito que me digam
o que pode, ou o que não pode ser.
Por isso sou torto e rebelde,
sou torto sem consentimento.
Eu espio os homens
que correm atrás das mulheres,
como animais em luta pelas fêmeas.
Saem das casas e roncam seus
motores
para impressioná-las.
E elas no seu fingir ser ou não ser,
deixam os homens pensarem que as
conquistaram.
O lotação passa cheio
O ônibus passa cheio
O trem passa cheio
O metrô passa cheio
As avenidas estão cheias
Pra que tanta gente, meu Deus,
perguntam meus olhos,
mas ninguém responde nada,
estão todos surdos, cegos e mudos.
Eu também não respondo nada.
Os homens dentro dos fones de
ouvido,
as mulheres dentro dos fones de
ouvido,
os jovens dentro dos fones de
ouvido...
Todos juntos, todo dia,
fazem tudo igual,
se sacodem às seis horas da manhã,
quase não conversam...
Todos, dentro dos fones de ouvido,
têm mais de mil amigos nas redes
sociais,
mas nas ruas não se falam.
Meu Deus, por que nos abandonaste,
se sabias de nossas fraquezas,
se sabias que nos perderíamos de ti,
se sabias que nos perderíamos de
nós?
Por que deixaste que falassem e
fizessem tanto em teu nome?
Por que não te encontro em casa?
Tantas casas na cidade?
Por que não te decides onde moras?
Por que não decides teu nome?
Um nome, o que é um nome?
Se outro nome tivesse a rosa,
em vez de rosa,
seria por isso,
menos perfumosa?
Mundo, mundo, vasto mundo...
Não há nada de profundo a se dizer,
não há alguma solução.
Mundo, mundo, vasto mundo,
Não me chamo Raimundo,
não sou uma solução,
sou uma contradição,
não sei o tamanho do meu coração.
Eu não sei se devia ou não dizer.
Não sei nada sobre a lua,
Nem sobre conhaque,
Nem sobre Deus,
ou o diabo,
o mundo,
a rima,
o sim,
o não.
Apenas peço perdão,
Por ser assim,
tão de repente.
09/05/2016
02/05/2016
AMANHECER
O poeta ia bêbado no metrô.
O dia nascia atrás dos prédios.
Os motéis alegres dormiam tristíssimos.
Os apartamentos também iam bêbados,
mas ninguém via.
Tudo parecia irreparável.
Ninguém sabia que o mundo ia acabar logo mais.
Últimos pensamentos!
Últimas mensagens pelo celular!
José só sabe dizer uma palavra: eu,
Helena odiava os homens,
Sebastião sentia-se arruinado,
Artur não dizia nada,
Todos embarcando para a última estação.
O poeta está bêbado, mas
escuta um apelo no amanhecer:
Vamos todos dançar
na frente da estação?
Entre a estação e a calçada
Vamos dançar!
Mesmo sem música,
Vamos dançar!
Crianças estão nascendo...
O amor é maravilhoso...
Vamos dançar!
A morte virá um dia
e será o fim
sem ressaca,
sem dor,
sem mal.
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