das tardes de minha infância.
O entardecer dourado de agora,
entra pela janela
e me pinta a casa por dentro.
Os gritos lá fora,
a correria,
a bola na chuva fina,
a brisa fresca
o entardecer lá fora e aqui,
me fazem sentir o chão molhado
da rua onde eu brincava.
Tantas vezes, pintei o chão
do vermelho dos meus pés
descalços,
dos meus dedos que se arrastavam,
do chute que não se deu.
Ainda hoje, quando volto,
para ver a minha mãe
posso ver, ouvir e sentir,
no silêncio de agora,
a vida do passado.
Nossos gritos vigiados
minha avó,
na beira do muro
de onde tantas vezes meu pai me
mostrou o céu
pintado de rosa,
laranja,
roxo,
negro.
A noite chega,
o silêncio,
mas, dentro de mim,
a aurora de minha vida pulsa,
corre, pula, grita,
vai e vem
a cada dia,
a cada tarde,
a cada sol que se põe
e renasce nas auroras de minha
vida.
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