É a paciência que está acabando.
É o homem que abriu a porta
E saiu à rua
E está gritando:
Sem violência!
Por que ele diz isso?
Que barulho é esse na minha janela?
É João, é José, é Maria, é Helena
Que caíram com o estrondo.
É a lua imóvel sobre as cabeças.
São os caminhões,
Os cavalos,
Os cacetes nos escudos.
Que barulho é esse na minha janela?
É a correria,
É o grito imperceptível
de alguém que está perdendo no jogo
enquanto a música anuncia o jornal,
o jornal nacional,
que me traz a informação,
que está sob a minha janela.
Que barulho é esse na minha janela?
É a mocinha que não está em casa suspirando com a novela,
é a criança que cresceu,
é o jovem que se cansou do futebol,
é alguém tentando abafar o rumor,
um rumor não sei por quê,
um rumor por tão pouco.
Tudo isso debaixo de minha janela
que por sorte está fechada
e me mantém em meu conforto,
eu cidadão de bem,
eu e minha janela fechada para o mundo.
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