12/06/2012

EXPLOSÃO

A todos os namorados, a todos os corações apaixonados, aos namoridos, aos amigos-amantes, aos peguetes, aos casos, rolos, enroscos, maridos, às mulheres, enfim, a todos os (e)namorados!

Chega um momento em que não há como dissimular.
Em um instante os olhares param um no outro, a respiração se sintoniza,
ouço o coração, o meu e o seu, não se pode esconder.
Uma onda de carinho e prazer anestesia a alma,
um arrepio gélido percorre o corpo, refrescando o calor do momento;
então, surge a certeza de que algo foge à razão.
Surge aquela vontade de que tudo seja eterno.
De não sair mais de perto, daquele olhar, daqueles dedos que se entrelaçam, daquela pele que exerce um irresistível poder atrativo.
A cabeça entra em ebulição... o peito, não quer se calar...
A razão, traidora, abandona o barco, é inevitável, abandonar os medos, e deixar que os lábios apenas se abram e desvirtuem o silêncio desse momento, derramando nele toda a magia de dizer:

EU TE AMO!

06/06/2012

NÃO SEI

Uns tomam álcool, outros cocaína.
Uns fumam baseado, outros pedra.
Uns se afugentam na revolta ou na violência;
outros jogam futebol, ouvem música, pintam.
Alguns comem, outros dormem, outros quase morrem.
 
Sinto que sou louco.
Às vezes vejo tanta loucura que não sei mais o que sou.
Não sou alegre, nem sou triste.
Não sou louco.
Acho que me resta nada; a não ser as palavras.
Acho que sou poeta.

01/06/2012

À MULHER QUE RIA

Uma gargalhada soava do ar da avenida.
Constante, ritmada, aguda.
Uma gargalhada que parecia ensaiada.
Enquanto eu caminhava pensando em ser feliz
vi, à beira da avenida, uma moradora das ruas da cidade ria.

Passavam inúmeras felicidades caminhando,
nos automóveis, nas motocicletas,
no trem no subsolo,
atravessando a passarela, como eu,
felicidades iam e vinham.
Ela, com seu lenço preto na cabeça, seu casaco surrado
e seu diskman anacrônico, olhava, apontava e ria.

Ela apontava como se visse
que diante de tanta civilização
não se ria, nem se sorria.
Mas ela ria.

Um tolo que ela apontava pensava que felicidade não existe.
Um intelectual olhava desconfiado, pensando que ela não podia ser feliz,
não no sentido lato.
Ela, indiferente, ria de todos.
Com sua saia presa na bota cumprida.
Ela ria da moça bem vestida
Ela ria.
 
Um empresário em seu carro do ano não se sentia feliz
Os lucros estavam baixos.
O desempregado parecia inconformado
Como ela poderia rir?
Com dois dentes a menos... ela ria.
Expondo o que os outros guardavam.
 
Um pesquisador a olhava, tentando descobrir.
O candidato passou e não viu que poder ela tinha
Que a fazia rir.
Um padre achou que ela devia sofrer.
Um pastor, que estava possuída.
E ela ria de todos
Ali, naquele lugar chamado Luz,
na cidade que não para,
ela continuou andando e rindo.

Este texto nasceu de um fato real, ocorrido comigo, dia 30/05/2012, próximo da estação da Luz, em São Paulo.