18/07/2013

MINHA ESCRITA


Escrever sobre o Universo é antes escrever sobre mim,
sobre o que veem meus olhos,
o que ouvem meus ouvidos,
o que sentem meus sentidos.

Não posso conhecer todo o Universo,
mas vivo intensamente em mim.
Meu mundo é a síntese do Todo.

Escrevo para que outros conheçam meu mundo,
meu universo,
meus eus.

12/07/2013

MEUS DOCES ANOS

Ah, que saudades que tenho
das tardes de minha infância.

O entardecer dourado de agora,
entra pela janela
e me pinta a casa por dentro.

Os gritos lá fora,
a correria,
a bola na chuva fina,
a brisa fresca
o entardecer lá fora e aqui,
me fazem sentir o chão molhado
da rua onde eu brincava.
Tantas vezes, pintei o chão
do vermelho dos meus pés descalços,
dos meus dedos que se arrastavam,
do chute que não se deu.

Ainda hoje, quando volto,
para ver a minha mãe
posso ver, ouvir e sentir,
no silêncio de agora,
a vida do passado.
Nossos gritos vigiados
minha avó,
na beira do muro
de onde tantas vezes meu pai me mostrou o céu
pintado de rosa,
laranja,
roxo,
negro.

A noite chega,
o silêncio,
mas, dentro de mim,
a aurora de minha vida pulsa,
corre, pula, grita,
vai e vem
a cada dia,
a cada tarde,
a cada sol que se põe

e renasce nas auroras de minha vida.

02/07/2013

SABOR DE VIDA


Se a vida for doce
Morrerei por diabetes.

Se amarga,
Faço cara feia, mas devoro.

Se salgada.
A hipertensão que se dane.

Quero a vida bem passada,
Com tempero picante.
Calda de caramelo.

Pratos quentes no inverno.
Sorvete no verão.
Caldo de feijão num sábado à noite
E doce de sobremesa

Quero sorver o caldo fazendo barulho.
Enfiar o dedo no bolo.
Roubar brigadeiro.
Brigar pela cereja.

Quero ler sopas de letrinhas.
Quero o prato do gourmet
Mas amo o arroz com feijão do dia-a-dia.

Quero a vida uma salada.
Cores, formas, sabores.

Quero me embriagar de viver.

Quero todos os aromas e temperos.

Mas, não quero a indigestão.
Nem comer por obrigação.

E ao levantar da mesa
Quero, sempre, sentir aquele restinho de fome
que me faça querer mais.