Sou um homem comum,
de carne e de lembranças,
de osso e de andanças.
A pé, de ônibus, de trem, de avião.
A vida sopra dentro de mim.
Vendavais me levam a firmar os pés no
chão.
A paixão me leva a viver a vida
simplesmente,
até que um dia ela cesse.
Sou feito de esquecimentos
E de desejos incompletos;
de rostos e de mãos,
de beijos,
abraços,
sorrisos
e solidão.
O guarda-sol colorido à beira-mar,
as alegrias de um passarinho,
o cheiro de mato,
a tarde morna e alaranjada,
o som das buzinas,
a campainha do metrô.
Nomes que não me lembram.
Sinais que um dia hei de ver perdidos na
multidão,
pelos quais passarei sem um “bom dia”.
Tudo misturado na fornalha
que queima
e faz andar o trem até a estação
derradeira,
onde vão desembarcar meus sonhos,
meus encantos
e minhas frustrações.
Poeta, acredito nas palavras.
Mas elas não movem engrenagens,
não erguem edifícios,
não constroem pontes,
não cavam túneis ou poços de petróleo.
Palavras não servem para nada.
A poesia é cada vez mais rara e não move
o motor do progresso.
Gasto mais algumas palavras com você,
de homem para homem.
Caminho ao seu lado,
apoiado em você,
de braços dados
antes que o tempo passe
e outros mais morram por nós.
Homem comum, cruzo a avenida,
entro no caminhão de gado que me leva à
estação.
Passo a catraca que me cobra pelo serviço
“público”
entro no curral que controla minha
insanidade.
Espero atrás da linha amarela
o trem do progresso que me prometeram e nunca
chega.
A plataforma está cheia, mas nada é feito.
Somente a arena para o espetáculo e
ficará pronta antes de qualquer futuro.
A sombra do lucro mancha a paisagem,
turva as águas dos rios,
tir de nós as estrelas,
o céu azul,
o ar puro,
o verde,
a naturalidade.
Somos simples,
comuns,
mas somos muitos
e unidos seremos comunidade de sonhos
e de flores para a primavera que há de
vir.
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