29/07/2011

PRA VOCÊ GUARDEI

Meu melhor olhar. Meu sorriso mais franco.
Meu afago mais terno.
Meu toque mais ousado.
Minhas melhores palavras.
Meu melhor antes, durante e depois.
O beijo mais saboroso e amoroso
na cama antes do sono, abraçado,
também guardado pra você.
O amor mais profundo e nunca imaginado,
que a vida guardou pra nós.

26/07/2011

REESTREIA

Convido você e os seus para a reestréia do meu espetáculo.

Fique atento, não vá perder a hora do abrir das cortinas.

Cada cena é única.

Cada fala.

Cada gesto.

Cada ator.

Este espetáculo não se repetirá.

Atenciosamente,

o Sol.

22/07/2011

O QUE SE GANHA COM O TEMPO

Leio em uma crônica de Affonso Romano de Sant’Anna que a partir dos trinta anos começamos a perder. Perdemos células da pele, perdemos neurônios, perdemos a visão, a audição, o paladar, o olfato, isso é o envelhecimento, mas a caminho dos meus trinta e três anos me recuso a envelhecer, me recuso a pensar nas perdas quando posso pensar no ganho. A crônica me faz pensar: o que se ganha com o tempo?


Começo, então, a fazer o balanço de minha vida e noto que um grande ganho é a percepção de que aos trinta e dois, por mais que se tenha vivido, viveu-se pouco. O que se tem para viver é muito mais. Com o passar dos anos, a vida se torna elástica, é possível perceber o quanto deixamos de ver, de ouvir, de sentir, de viver. Mas a vida é generosa – desde que aceitemos sua generosidade – e nos oferece sempre novas chances e com o tempo, as chances parecem tão diferentes de antes. Cabe a nós aproveitarmos.

Com o tempo, ganhamos a liberdade de ser quem somos, pois já não há mais por que ficarmos tão preocupados com o que vão pensar de nós. Nossos gostos, nossos medos, nossas manias, nossos vícios passam a ser cada vez mais nossos, para fazermos deles o que bem entendermos. Se assim quisermos.

Com o tempo, ganhamos a coragem de mudar de opinião de uma hora para outra sem o medo de parecermos contraditórios e de expressar nossas opiniões e arcarmos com as conseqüências.

O tempo nos trás a certeza, cada vez mais certa de que o que se é vale muito mais do que o que se tem.

O tempo nos permite revivermos a juventude com um vigor muito mais puro, pois é o vigor da alegria, da liberdade, da tranqüilidade, do equilíbrio de vivermos enquanto valer a pena.

O tempo nos mostra que viver vale mais a pena do que morrermos gradativamente pensando nas perdas ou distraídos pelo medo de encararmos a vida.

Com o tempo, ganhamos um grande amigo: O tempo.

19/07/2011

APENAS UM OLHAR

Um olhar.
Apenas um olhar.
O silêncio daquele olhar.

As palavras sumiram.
Havia apenas você, eu e um olhar.

O que foi aquele olhar?
De onde veio?

Quem de nós tinha o mapa desse caminho?

De repente, não mais que de repente
O desejo se fez algo mais.
Um novo brilho.
Um novo sentido.

Um pedido: uma palavra.
Nenhuma.

Somente o olhar
O silêncio
Somente quebrado pela respiração
Pelo peito batendo acelerado

Aquele olhar veio como onda gigante
Arrastou todas as palavras.
Todo controle.
Todo limite.
Todo juízo.
Toda razão.

Aquele olhar
De repente mudou tudo.
Era apenas uma noite.
Era apenas um momento.
Era apenas desejo.
Você, apenas uma linda mulher.
Simpática, atenciosa, sincera.

De repente;
Um olhar traz algo mais.
Totalmente inexplicável,
Indefinível,
Indecifrável.
Indispensável

Um olhar.
Apenas um olhar.

14/07/2011

O POETA E A FLOR

Como humilde aprendiz, dedico estes versos a Carlos Drummond de Andrade



Vou caminhando pela rua cinzenta e lá está o poeta

ele ainda está lá, de branco, sentado, olhando a flor

a flor que rompeu o asfalto e nasceu no meio da rua,

mas, muita gente ainda não viu,

não percebeu sua cor; o tempo passou e muita gente ainda não viu a flor.



O tempo passou no relógio da torre e o poeta continua protegendo a flor.

As pétalas ainda não se abriram, o tempo da completa justiça não chegou,

As fezes são cada vez piores, os maus poemas, as alucinações e a espera...

A sua espera, poeta; a nossa espera

funde-se no mesmo impasse, na mesma náusea.



Mudaram os muros, mas continuam surdos.

As pernas que passam, não mais nos bondes, parecem não querer decifrar as palavras.

Querem apenas o sol e as coisas, mas não querem ouvir o murmúrio da flor sobre o asfalto, debaixo das cinzas, das placas, das solas dos sapatos.



O murmúrio não pode ser ouvido, o ronco dos motores, buzinas...

Ah poeta, no tempo em que o chão onde está sentado era o chão da capital do país, não havia celulares, MP3, 4, 5, infinito...

E o murmúrio já não se ouvia.



A porção diária de ração de erro tem aumentado a cada dia, poeta.

Enquanto você protege a flor no asfalto, crimes ocupam o entardecer das casas, distribuídos por mais ferozes padeiros e leiteiros do mal.

O Tóten Volúvel, volátil, veloz, cada vez mais alimenta a gula dos adoradores aduladores carnívoros e sanguinários.

Antropófagos irracionais, alimentam-se de tudo o que se lhes põe sem pensar.

O dia de trabalho é muito, não há tempo para se pensar.

Estão cada vez mais convencidos disto.



E você continua ali, poeta.

Você e a flor.



Bondes não há mais, o rio de aço do tráfego é cada vez mais caudaloso,

cada vez mais perene.

A flor, cada vez mais tem menos espaço para abrir suas pétalas,

mas, ela resiste, furando o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio,

prevalecendo.

No meio do caminho.





Inspirado em A flor de a náusea, de Carlos Drummond de Andrade.



André Valente

2/10/2008

16/01/2011

06/07/2011

SEM MEDO


 
Aqui eu penso...

O que pensam?
Condenam-me?

E me sentencio

Mas, por quê?
Tu não deves – eu me falo
Não! E por que temo?

Covarde!
Eles sabem o que te fere e usam contra ti.

Teu medo te condena
Tua única chance e derradeira defesa
é matar o monstro no seu peito.

Pega-o pela garganta e arremessa
pela janela de tua boca
e com peito aberto e firme
enfrenta teus juízes e mostre a eles
tua vitória.