08/10/2016

Quem somos nessa novela...

Interessante essa história de "Quero saber quem é André Valente para vocês". 
Penso que preciso, principalmente, saber quem sou para mim mesmo. 
Sei que o egocentrismo e o narcisismo são tentações fortes no mundo contemporâneo - como sei - no entanto, no final de tudo, é André Valente, que André vai encarar. À noite, com a cabeça no travesseiro - poderoso juiz de todos nós e piedoso confidente - não importam os elogios que recebemos, nem as críticas, pois dentro de nós, em nossa consciência está a realidade de tudo. Por mais que as relações e convenções sociais nos obriguem ou nos permitam escolher a máscara, a omissão de quem somos, pela exposição de quem queremos ser, como diz Machado de Assis, "a realidade não pega tinta", ou seja, podemos querer ser belos, recatados, simpáticos, modernos; mas, dentro de nós, sabemos que, muitas vezes, tudo não passa de uma bela tinta a esconder a realidade.
Essa história de perguntar aos outros quem somos para eles, parece muito com aquelas pesquisas que são feitas para saber como um autor vai conduzir sua novela. Muitas vezes, a opinião do público faz com que as coisas mudem, diferentemente do que pensava o autor. Assim somos nós, perguntamos ao público de nossa novela o que ele espera de nós e, então, podemos construir a narrativa que dê mais audiência. Porém, sabemos - ou poderíamos saber - que, não passa de uma grande ficção, pois a realidade nem sempre é tão gloriosa como os destinos de uma novela.
Como na história dO Retrato de Dorian Grey, de Oscar Wilde, enquanto desfilamos nossa eterna beleza e juventude, em nosso interior, o quadro envelhece, sem que as pessoas vejam e nós nos iludimos, acreditando que somos realmente, belos e jovens, pois alguém disse que somos - ou o contrário. Até que um dia enlouquecemos ao descobrir que não somos nada daquilo.
Por isso, já dizia o grande Sócrates, 2500 anos atrás: "Conheça-te a ti mesmo."

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