Muita gente tem me perguntado sobre o que achei das eleições.
Gostaria, então, de dizer algumas coisas aqui.
Gostaria, então, de dizer algumas coisas aqui.
Primeiramente, as eleições representam a vontade do povo, dentro de um sistema eleitoral determinado por lei. Nesse sentido, temos que respeitar a vontade soberana do povo, expressa nas urnas, pois é assim que se comportam pessoas civilizadas em uma DEMOCRACIA.
A votação da maior cidade do país, São Paulo, expressou a visão de mundo de nosso povo, diante da atual situação política do país. O povo deixou seu recado: Não acreditam na política como via para a organização da sociedade. Isso foi expresso pelos 3.096.304 votos não-válidos, ou seja, pessoas que, de alguma forma, não encontraram motivos para participar do pleito. Tirando aqueles que, porventura, não votaram por outros motivos, que não a omissão, foram, pelo menos, mais de 3 milhões de eleitores, paulistanos que não quiseram participar de mais uma eleição. Além desses, o candidato eleito, João Dória Jr. apresentou-se durante sua campanha como um não-político e, certamente, uma parte significativa de seus 3.085.187 votos deve-se a pessoas que viram nisso uma virtude, ou seja, se ele não é político, é diferente dos que estão aí.
Fosse um sistema que, realmente, expressasse a vontade da maioria, teria que haver ou um segundo turno ou novas eleições, visto que a maioria não se sentiu representada por nenhuma das opções. No entanto, o sistema só considera os votos válidos, e, sendo assim, cabe a nós, respeitar os 53,29% que decidiram votar em João Dória Jr.
Em segundo lugar, não é democraticamente justo que fiquemos dizendo que o povo é burro, alienado, ignorante. O povo não é burro, o povo, em sua maioria, vota conforme as informações que recebe e, nesse sentido, dois fatores são fundamentais: a educação e a influência da mídia.
Infelizmente, no Brasil, a educação não inclui a política em suas pautas. É de muito tempo um clichê que se repete em nossa sociedade: "Política não se discute." e já dizia o grande Sócrates, há 2500 anos, o mal de quem não gosta de política, é ser governado por quem gosta. E quem gosta, não quer que o povo goste, por isso, nas escolas, política é associada a doutrinação. Cada vez mais, nós, professores, somos caçados, perseguidos e censurados quando o assunto é política. A perseguição vem desde os alunos, que são ensinados a rejeitar esse assunto em sala de aula, já em casa, pelos pais e em outros espaços, como em templos religiosos, no trabalho, onde o assunto é demonizado. A rejeição passa ainda por dirigentes, políticos, que não querem a discussão política na escola. O projeto "Escola sem partido" é isso, é a negação da discussão política na escola.
Além disso, no Brasil, os meios de comunicação estão sob o comando de 6 ou 7 famílias, todas com interesses relacionados aos privilégios da minoria mais rica e poderosa. Não há pluralidade nos meios de comunicação da chamada grande mídia; assistir a um jornal no SBT, na Globo, na Record ou na Band dá na mesma, todos apresentam as mesmas visões dos fatos, as mesmas opiniões, os mesmos preconceitos, os apresentadores se vestem da mesma maneira, os penteados são os mesmos, os cenários, as maquiagens, a linguagem, os temas, tudo igual, como se houvesse apenas uma visão de mundo.
Esses dois fatores são fundamentais para explicar o afastamento da maioria da população em relação a política, afinal, o trabalhador que vê e ouve todos os dias notícias ruins sobre a política só pode detestar aquilo que parece ser a responsável por sua vida de amarguras, por seu ônibus lotado, por seu salário defasado, pelo hospital sucateado, pela escola ruim, pela insegurança, por uma sociedade injusta, violenta, preconceituosa. As pessoas não sabem exatamente o que procurar, onde procurar, como procurar, e algumas, nem acham que têm que procurar, pois acostumaram a acreditar que, se os jornais estão dizendo, é verdade.
Então, não é justo jogarmos a culpa no povo, é preciso que todos nós, que nos interessamos pela política, façamos uma reflexão profunda, sincera e responsável e uma autocrítica e pensemos, onde foi que erramos, o que deixamos de fazer, por que as pessoas não conseguem nos ver como referência. Nós, do campo progressista ou de esquerda, precisamos assumir nossa parte nisso tudo, precisamos estar ao lado do povo, precisamos vivenciar mais e discutir menos, precisamos recomeçar o trabalho de base, não o trabalho teórico, acadêmico, com aquela linguagem que o povo não entende; mas sim, as conversas no bar com aqueles que convivem conosco, precisamos oferecer uma alternativa aos ataques que a educação vem sofrendo e sofrerá, precisamos estar juntos, de mãos dadas, olhando nossos companheiros e nossas companheiras nos olhos, reivindicando a manutenção daquele posto de saúde que não funciona, perto de nossa casa, participando das associações de bairro, das atividades nas escolas de nossos jovens, oferecendo atividades culturais, colaborando em campanhas de interesse social e, acima de tudo, precisamos ter coragem e firmeza para assumirmos nossas posições. Não podemos mais aceitar que ser chamados de comunistas ou esquerdistas seja uma ofensa. Não podemos mais admitir sermos silenciados quando formos chamados ao debate. Precisamos ter a certeza de que mundo queremos propôr àqueles que nos ouvem. Só assim resgataremos a dignidade da luta política.
Por fim, não podemos admitir o discurso da derrota. Não há derrotados, uma eleição é a escolha de um governo que tomará decisões que atingirão a todas e a todos, portanto, não há por que falar em vencedores ou derrotados. Uma grande parte daqueles que elegeram João Dória serão atingidos por ações políticas que poderão ou não satisfazer às necessidades deles. Por isso, nós que temos nossa visão de mundo, precisamos estar sempre ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras, esse é o nosso papel. Portanto, só seremos derrotados se desistirmos de lutar.
A votação da maior cidade do país, São Paulo, expressou a visão de mundo de nosso povo, diante da atual situação política do país. O povo deixou seu recado: Não acreditam na política como via para a organização da sociedade. Isso foi expresso pelos 3.096.304 votos não-válidos, ou seja, pessoas que, de alguma forma, não encontraram motivos para participar do pleito. Tirando aqueles que, porventura, não votaram por outros motivos, que não a omissão, foram, pelo menos, mais de 3 milhões de eleitores, paulistanos que não quiseram participar de mais uma eleição. Além desses, o candidato eleito, João Dória Jr. apresentou-se durante sua campanha como um não-político e, certamente, uma parte significativa de seus 3.085.187 votos deve-se a pessoas que viram nisso uma virtude, ou seja, se ele não é político, é diferente dos que estão aí.
Fosse um sistema que, realmente, expressasse a vontade da maioria, teria que haver ou um segundo turno ou novas eleições, visto que a maioria não se sentiu representada por nenhuma das opções. No entanto, o sistema só considera os votos válidos, e, sendo assim, cabe a nós, respeitar os 53,29% que decidiram votar em João Dória Jr.
Em segundo lugar, não é democraticamente justo que fiquemos dizendo que o povo é burro, alienado, ignorante. O povo não é burro, o povo, em sua maioria, vota conforme as informações que recebe e, nesse sentido, dois fatores são fundamentais: a educação e a influência da mídia.
Infelizmente, no Brasil, a educação não inclui a política em suas pautas. É de muito tempo um clichê que se repete em nossa sociedade: "Política não se discute." e já dizia o grande Sócrates, há 2500 anos, o mal de quem não gosta de política, é ser governado por quem gosta. E quem gosta, não quer que o povo goste, por isso, nas escolas, política é associada a doutrinação. Cada vez mais, nós, professores, somos caçados, perseguidos e censurados quando o assunto é política. A perseguição vem desde os alunos, que são ensinados a rejeitar esse assunto em sala de aula, já em casa, pelos pais e em outros espaços, como em templos religiosos, no trabalho, onde o assunto é demonizado. A rejeição passa ainda por dirigentes, políticos, que não querem a discussão política na escola. O projeto "Escola sem partido" é isso, é a negação da discussão política na escola.
Além disso, no Brasil, os meios de comunicação estão sob o comando de 6 ou 7 famílias, todas com interesses relacionados aos privilégios da minoria mais rica e poderosa. Não há pluralidade nos meios de comunicação da chamada grande mídia; assistir a um jornal no SBT, na Globo, na Record ou na Band dá na mesma, todos apresentam as mesmas visões dos fatos, as mesmas opiniões, os mesmos preconceitos, os apresentadores se vestem da mesma maneira, os penteados são os mesmos, os cenários, as maquiagens, a linguagem, os temas, tudo igual, como se houvesse apenas uma visão de mundo.
Esses dois fatores são fundamentais para explicar o afastamento da maioria da população em relação a política, afinal, o trabalhador que vê e ouve todos os dias notícias ruins sobre a política só pode detestar aquilo que parece ser a responsável por sua vida de amarguras, por seu ônibus lotado, por seu salário defasado, pelo hospital sucateado, pela escola ruim, pela insegurança, por uma sociedade injusta, violenta, preconceituosa. As pessoas não sabem exatamente o que procurar, onde procurar, como procurar, e algumas, nem acham que têm que procurar, pois acostumaram a acreditar que, se os jornais estão dizendo, é verdade.
Então, não é justo jogarmos a culpa no povo, é preciso que todos nós, que nos interessamos pela política, façamos uma reflexão profunda, sincera e responsável e uma autocrítica e pensemos, onde foi que erramos, o que deixamos de fazer, por que as pessoas não conseguem nos ver como referência. Nós, do campo progressista ou de esquerda, precisamos assumir nossa parte nisso tudo, precisamos estar ao lado do povo, precisamos vivenciar mais e discutir menos, precisamos recomeçar o trabalho de base, não o trabalho teórico, acadêmico, com aquela linguagem que o povo não entende; mas sim, as conversas no bar com aqueles que convivem conosco, precisamos oferecer uma alternativa aos ataques que a educação vem sofrendo e sofrerá, precisamos estar juntos, de mãos dadas, olhando nossos companheiros e nossas companheiras nos olhos, reivindicando a manutenção daquele posto de saúde que não funciona, perto de nossa casa, participando das associações de bairro, das atividades nas escolas de nossos jovens, oferecendo atividades culturais, colaborando em campanhas de interesse social e, acima de tudo, precisamos ter coragem e firmeza para assumirmos nossas posições. Não podemos mais aceitar que ser chamados de comunistas ou esquerdistas seja uma ofensa. Não podemos mais admitir sermos silenciados quando formos chamados ao debate. Precisamos ter a certeza de que mundo queremos propôr àqueles que nos ouvem. Só assim resgataremos a dignidade da luta política.
Por fim, não podemos admitir o discurso da derrota. Não há derrotados, uma eleição é a escolha de um governo que tomará decisões que atingirão a todas e a todos, portanto, não há por que falar em vencedores ou derrotados. Uma grande parte daqueles que elegeram João Dória serão atingidos por ações políticas que poderão ou não satisfazer às necessidades deles. Por isso, nós que temos nossa visão de mundo, precisamos estar sempre ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras, esse é o nosso papel. Portanto, só seremos derrotados se desistirmos de lutar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário