Caminho pela cidade
e vejo olhos carregando úmidos silêncios.
Silêncios que se negam,
fingem existir por se convencerem de que não há onde ecoar.
Pernas vêm e vão.
Andares irracionais.
Punhos, olhos, antebraços vão ao peito,
não se ouve o coração,
o passar do tempo vocifera e nos encolhemos.
Não há vozes,
há ganidos,
grunhidos,
gemidos,
suspiros sumidos,
secretos,
engrenados,
embrenhados no vaivém entre eu,
eus,
nunca nós,
nem laços.
Somos traçados de receituário médico
esperando entendimento para curar a dor.
Somos a própria dor calada,
cravada,
sem mão para puxar o punhal;
o medo do sangue é maior,
então, o coma.
Os dias passam,
o sangue esfria,
os passos são gigantes,
mas não superam abismos.
Regados pelo úmido silêncio dos olhos
que como os meus caminham calados.
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