02/05/2016

AMANHECER




O poeta ia bêbado no metrô.
O dia nascia atrás dos prédios.
Os motéis alegres dormiam tristíssimos.
Os apartamentos também iam bêbados,
mas ninguém via.

Tudo parecia irreparável.
Ninguém sabia que o mundo ia acabar logo mais.
Últimos pensamentos!
Últimas mensagens pelo celular!
José só sabe dizer uma palavra: eu,
Helena odiava os homens,
Sebastião sentia-se arruinado,
Artur não dizia nada,
Todos embarcando para a última estação.

O poeta está bêbado, mas
escuta um apelo no amanhecer:
Vamos todos dançar
na frente da estação?
Entre a estação e a calçada
Vamos dançar!
Mesmo sem música,
Vamos dançar!
Crianças estão nascendo...
O amor é maravilhoso...
Vamos dançar!
A morte virá um dia
e será o fim
sem ressaca,
sem dor,
sem mal.

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