23/07/2015

ORGULHO E MISÉRIA

Voltava para casa de mais um dia de trabalho.
A aula sobre Romantismo me fez falar sobre Victor Hugo e sua literatura engajada.
Ele, autor, de Os miseráveis.
Falei de como a literatura romântica, em seus ideias, tira o homem da realidade, colocando-o na fantasia, no mundo da imaginação.
Caminhava para a estação da Lapa, para pegar meu trem, quando um miserável homem que vive na rua começou a gritar enquanto agitava os braços: Eeeeeuuuuu sou brasileirooooooooo com muito orgulho, com muito amooooor...
As pessoas passavam e olhavam com olhar de estranheza. Outras, nem olhavam. E eu, tirado do mundo da fantasia e da literatura pensava no Brasil, que se orgulha de Victor Hugo, mas que não reconhece os miseráveis em suas ruas, não ouve o grito desses brasileiros e que não devolve com o mesmo orgulho, esse canto, que talvez seja meramente um canto, enquanto o homem com os braços agitados é real e sua situação não é motivo de orgulho algum.

André Valente

S. Paulo, 1 de junho de 2015

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