Ser professor, em um mundo em que a ignorância, a
truculência, a violência ainda predominam e são confundidas com simplicidade,
firmeza e a tal “pegada forte”, é praticamente um ato subversivo, criminoso.
Ensinar a pensar, é como oferecer uma droga perigosíssima.
Professores, somos traficantes procurando, de toda forma,
aliciar novos jovens. Oferecemos pequenas porções, no começo, só pra viciar. É
um poema recitado em uma primeira aula, uma piada com o conteúdo de uma aula,
uma musiquinha, uma dança, uma curiosidade, o desvendar de pequenos segredos
das ciências, tudo para que o jovem queira mais desse barato, dessa aventura,
dessa viagem que é cheirar um pouco de pó de conhecimento, fumar um baseado de
equações, ligações químicas, letras, filosofia, sociologia; injetar um pouco de
física veia adentro, engolir uma balinha de geometria, dos acontecimentos
históricos que nos fazem viajar no tempo.
Depois de consumir essas drogas, não se espante se diante de
você começarem a aparecer figuras geométricas escondidas nas formas das coisas
que antes eram só coisas. Não estranhe se tiver alucinações de que a sociedade
de hoje é muito parecida com aquela estudada nas aulas de história ou se notar
que está tendo alterações de pensamento e até de forma de se expressar, de
olhar, de se vestir, de consumir. Esses são indícios do domínio da
droga-conhecimento em você.
Se as antigas certezas e verdades começarem a não ter mais
sentido, aí ferrou, você está em estado grave de alucinação, cuidado, não deixe
que percebam, senão podem te internar e lá, onde vão te levar, dão um
tratamento brutal com várias sessões de programas de auditório dominicais,
músicas vazias de conteúdo que te ensinam a tratar mulher como coisa que você
pega e tain tain tain... Há também, terapia corporal, com dancinhas ridículas
ao som de músicas que não dizem nada, nem tem qualidade sonora. Te entregam uns
manuais de como viver em sociedade e dirão para que você veja tudo como em
nossa época isto é... e dizem que se você ler aquelas revistas e jornais,
saberá a verdade de tudo. Então, cuidado, ser viciado em conhecimento, é
perigoso, pode te levar a não saber o que é a realidade que te ensinaram a ver.
Enfim, qualquer dia desses podemos ser presos por estarmos
pondo a perder todo o investimento em tornar o mundo mais alegre e satisfeito
com tão pouco que é oferecido através da TV, do rádio, dos jornais, da internet
e que brilha aos olhos, mas torna o mundo profunda e tristemente careta.
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