16/09/2011

AMANDO VIVO

Será amor apagar-se para brilhar o ser amado? Será amor morrer para que o outro viva plenamente?
Será amor a troca do meu eu por um falso nós que me anula como se houvesse plural para nossas vidas?
Mas que plural se o que há é a singularidade de uma vontade que sufoca a outra?
Como poder dizer “Eu te amo” se o melhor de um foi sufocado pelo medo do outro?
Será amor essa disputa?
Será amor o sufoco? A falta de riso? De beleza? De alegria?

Não quero o amor que não é oxigênio para minha alma. Refrigério.

Quero o amor-cor.
Amor-brilho.
Amor-riso.
Amor-sol.
Amor-flor que brota no peito e faz buquê das melhores verdades que perfumam a vida.

Quero um amor-mistério que me faça buscá-lo a cada vão momento.
Quero um amor selvagem que me traga a sensação de estar caminhando por uma floresta, sem saber o que há atrás de cada árvore.
Quero o amor amigo e amante que me olhe do mesmo jeito quando chego na festa e quando acordo no dia seguinte.
Quero um amor que se sabendo sabendo que há finitude acredita no infinito.
Um amor que é estar preso por vontade.
Que me dê liberdade de amar sempre.
Que sabendo de outros corpos e outras bocas, sabe que só há um coração.

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