“Nunca me dês o céu. Quero é sonhar com ele.”
Mário Quintana
Onde estão os sonhos?
Mandam buscar sonhos,
Mas não há sonhos à venda.
Mandam construir sonhos com a mais avançada tecnologia
Mas sonhos não são de ferro,
Não são se plástico,
Não são de ouro.
Não são de silício.
A matéria dos sonhos não pode ser manipulada
Sonhos são sonhos
Não se podem comprá-los a crédito
Não se podem baixá-los da internet
Não se podem patentear os sonhos
Não se fabricam sonhos em escala
Sonhos surgem do nada infinito, aqui e ali
Não há etiquetas para os sonhos
Não há valor para os sonhos
Sonhos não são contáveis
Não são contábeis
Os sonhos nascem do simples olhar
Elefantes nas nuvens, jacarés, a mão dizendo tchau
nos porões empoeirados de casas antigas
Onde fantasmas nos assombram deliciosamente
Onde a luz da lua cria sombras que ganham vida.
Quantos sonhos desenhei nos quintais de minha infância...
A cidade, ruas, casas, chuva? O sol bem grande pra brincadeira continuar.
Sonhos são construídos com pau, pedra, lápis, papel, um volante velho, viagem.
Sonhos não têm controle remoto,
Sonhos são joelhos no chão, terra, lama depois da chuva.
Que pena tenho das crianças que não têm com quê sonhar.
Tudo está ao alcance de um dedo, dum botão.
Não há quintais, não há terra.
Apenas um sonho ainda resta para essas pobres crianças: o sonho de poder sonhar.
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